Missão Singapura: Estado da arte de um país visionário que planeja as suas próximas gerações

Missão Singapura: Estado da arte de um país visionário que planeja as suas próximas gerações

A Ásia deverá representar 50% do PIB global e 40% do consumo até 2040. No continente, Singapura já exerce papel de destaque, sendo um hub comercial e o segundo país mais conectado do mundo, atrás apenas dos Países Baixos (ou Holanda). A informação foi dada pelo vice-presidente executivo do Comitê de Desenvolvimento Econômico de Singapura (EDB Singapore), Choo Heng Tong, que realizou uma visita à delegação brasileira da Missão Internacional do Transporte, nessa quarta-feira (15).

No campus do IMD (International Institute for Management Development), Choo Heng Tong detalhou a dinâmica de funcionamento da economia singapurense. Ele explicou que o comitê é a agência do governo que planeja e executa a estratégia de desenvolvimento econômico e industrial. Eles respondem por 30% do PIB no país — o restante refere-se ao setor de serviços. De acordo com Choo Heng Tong, o PIB per capita de Singapura é de US$ 80 mil, inserindo o país na quinta posição em relação à renda anual por habitante. No Brasil, para efeito de comparação, o PIB per capita é US$ 13 mil.

O vice-presidente afirma que Singapura possui uma economia diversificada e resiliente às crises. Vinte e dois por cento do PIB vem de manufatura; 14% ,do setor financeiro e seguros; 10%, do transporte e armazenagem; e 19%, do comércio.

 “Para um país pequeno, para cada setor que trabalhamos, escolhemos um com potencial de crescimento que nos permita liderar de alguma forma, para que possamos atingir um nível de excelência e tenhamos crescimento e oportunidades de liderança”, disse.

Mas o que Singapura oferece na área de negócios? 

Ao falar da proposta de valor do país, Choo Heng Tong elencou os seguintes aspectos:

  • Mão de obra barata ficou para trás como estratégia de crescimento.
  • Agora, busca-se um ambiente de negócios bom, no qual há previsibilidade para os investidores.
  • Força de trabalho bem formada e treinada.
  • Conexão com o mercado global.
  • Abertura para pessoas talentosas, um lugar seguro.

O vice-presidente destacou que Singapura possui nove zonas de negócios livres localizadas perto de portos e aeroportos para facilitar o comércio e distribuição de cargas. De acordo com ele, 99% das declarações de movimentação de cargas são processadas em, no máximo, 10 minutos.

No campo das soluções de mobilidade, o país dispõe de um ecossistema diverso de atores (players). “Não é um país com histórico na indústria automotiva, pois não tem um mercado representativo. Mas o mercado de carros elétricos é outra realidade e, por isso, passou a investir nesse mercado e a Hyundai montou indústria no território singapurense.”

Atualmente, já existem 26 mil pontos de carga de veículos elétricos no país. “Uma área da cidade está reservada para veículos autônomos. Uma das preocupações é como esses automóveis vão parar em cruzamentos, dar segurança aos usuários. As universidades investem nesse tipo de pesquisa”, disse o vice-presidente do Comitê.

Cultura familiar

O Comitê Econômico também ressaltou que muitas empresas em Singapura são familiares e, por essa razão, o órgão se preocupa com esse tipo de negócio na política de desenvolvimento do país.

“Um dos aspectos que interessa muito às empresas familiares é a preservação do legado. Nesse sentido, há diversas maneiras adotadas pelas empresas investir em startups estratégicas para o negócio principal da empresa (para o business core), fomentar pesquisa e inovação com parceiros e fomentar o crescimento de outros países na região do Sudeste Asiático.”

Há aproximadamente 1.100 empresas familiares instaladas em Singapura. Houve um crescimento recente desse tipo de empresa no país nos últimos anos, que recebem suporte do Comitê de Desenvolvimento Econômico e da autoridade monetária do país.

Outro patamar de eficiência e excelência

Os empresários brasileiros da Missão Internacional do Transporte foram até o Porto de Singapura, também nessa quarta-feira (15), e tiveram um encontro com representantes da PSA (Port Singapore Authority). Trata-se de um dos principais hubs logísticos da Ásia e do maior terminal em movimentação de contêineres do mundo.

Por ano, o porto tem uma movimentação média de 36 milhões de TEUs (medida padrão equivalente a um contêiner de 20 pés — ou seis metros). Para se ter uma dimensão dessa capacidade, o maior porto do Brasil, o de Santos, em 2022, movimentou 5 milhões de TEUs. O hub asiático está conectado a 600 portos, em 120 países ao redor do mundo.

A PSA é uma operadora portuária que atua em todos os continentes. Segundo os representantes da autoridade, eles estão automatizando boa parte da operação do porto em Singapura, em função da falta de mão de obra, com utilização de carros autônomos e guindastes automáticos. Na parte ambiental, toda a operação do porto é elétrica, sem utilização de combustível fóssil.

Mesmo com o porto tendo sido inaugurado em 2021, o grupo já iniciou a construção do novo terminal, o Porto de Tuas, em nova área, projetado para 2040, com capacidade para operar, simultaneamente, 66 berços. O plano é chegar a 65 milhões de TEUs até 2040.

O terminal funciona como um hub para as cadeias de suprimento — as mercadorias passam um tempo nele armazenadas quando necessário. Ao todo, são 8 mil pessoas empregadas, garantindo que o terminal funcione 24 horas por dia, sete dias por semana.

No final dos anos de 1960, a PSA era parte da autoridade portuária de Singapura. Até 1997, só havia o Porto de Singapura. Foi, então, que decidiram expandir investimentos para a parte nordeste da China.

Está na mão de um acionista um fundo de investimentos soberano, de propriedade do governo de Singapura. Recentemente, decidiram avançar para outras atividades, como redes ferroviárias para transporte de cargas, armazenamento em contêineres e depósitos especializados.

Planejamento para uso da terra

No final do dia, a delegação foi até a sede da LTA (Land Transport Authority), autoridade do transporte terrestre. Os representantes do órgão explicaram aos empresários brasileiros que existe um sistema integrado de transporte terrestre de Singapura. O transporte público é o modo mais utilizado, com transporte por trens, ônibus e taxis.

Segundo eles, há um planejamento do uso da terra para os próximos 50 anos. A cada 10 anos, esse plano é revisado. O governo local entende que transporte público deve ser acessível a todos, independentemente da condição ou idade. Nesse sentido, Singapura tem 55 cidades pequenas e, para chegar ao centro social, o cidadão leva no máximo 45 minutos.

O país tem compromisso com a sustentabilidade.  A ciclovia tem se tornado um ativo da mobilidade cada vez mais importante: foi investido US$ 1 bilhão no programa que viabilizará mil quilômetros de ciclovia até 2026. Além disso, o governo desencoraja a aquisição de carros. O cidadão precisa de licença para comprar um veículo, pois Singapura é um país muito pequeno, cujo valor é de 160 mil dólares.


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